ONU anuncia meta de tratar 15 milhões de pacientes com HIV até 2015

A meta de expandir o tratamento de vítimas da aids para 15 milhões de pacientes até 2015 será um dos principais resultados da reunião de alto nível na sede da ONU que marca os 30 anos da epidemia. Em documento que será votado hoje (10), no encerramento da reunião, os países-membros se comprometerão a aumentar o financiamento para o tratamento nas regiões mais pobres do planeta.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, propôs a erradicação da doença até 2020, com a adoção dos “três zeros”: zero transmissão, zero estigma, e zero contaminação por outras doenças relacionadas ao HIV. Cerca de 1,8 milhão de pessoas morrem de aids a cada ano, e estima-se que sete mil pessoas sejam infectadas a cada dia, mas o documento final não assumirá o compromisso com uma meta de erradicação.

“Há 9 milhões de pessoas esperando tratamento hoje. Esta reunião terá sido uma farsa se não tivermos planos concretos para acelerar o tratamento, tentando nos colocar à frente da próxima leva de infectados” disse o diretor da Médicos sem Fronteiras, Tido von Schoen-Angerer.

O Brasil anunciou seu compromisso de aumentar sua contribuição anual, que atualmente é de US$ 10 milhões, com a receita da nova taxa de US$ 2 sobre passagens internacionais, aprovada recentemente pelo Congresso. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, estimou que o país passará a transferir mais US$ 12 milhões a US$ 15 milhões a países da África e da América Latina para o tratamento de pacientes de aids.

“Para nós, era fundamental que o mundo reconhecesse que são necessárias políticas específicas para populações em situação de maior vulnerabilidade, o que foi uma das bases do sucesso da nossa política de combate à aids. Nossas políticas para os profissionais do sexo e de redução de danos para usuários de drogas injetáveis foram fundamentais” disse Padilha.

Os Estados Unidos, que são os maiores contribuintes, se comprometeram a dar mais US$ 75 milhões para a prevenção da transmissão vertical, de mãe para filho. O ex-presidente Bill Clinton foi um dos líderes presentes à reunião da última quinta-feira na qual foi anunciada uma meta específica para a eliminação da transmissão para bebês, com redução de 90% nos quatro primeiros anos, até 2015. Clinton está orientando governos africanos sobre a melhor maneira de gerir os recursos para o combate à Aids.

Outro ponto importante do documento será a reafirmação de que mecanismos de defesa da propriedade intelectual, como patentes, não poderá reduzir o acesso aos medicamentos anti-retrovirais. O Brasil, que lutou por essa mudança dentro da Organização Mundial do Comércio, ficou satisfeito, segundo o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota.

“Aids não é apenas um assunto de saúde, também é um assunto de política externa. Se não tivesse sido pela ação internacional articulada de diversos países, não haveria a noção hoje consolidada de que lidar com o problema da pandemia da Aids requer não apenas prevenção, mas também tratamento e acesso a medicamentos” disse Patriota.

Fonte: Extra

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