Europa: Na Inglaterra, escolas religiosas falham no combate ao bullying homofóbico

O bullying homofóbico é “endêmico” e propenso a crescer com o iminente aumento do número de escolas religiosas, advertem os professores.

A Igreja Católica já criticou abertamente o código de conduta para professores, nacionalmente aceito, que requer que estes “combatam a discriminação proativamente” na escola, dizem os mesmos.

Representantes na conferência do Sindicato Nacional dos Professores em Harrogate adicionaram que o fracasso em acabar com a discriminação seria ainda pior com a criação de novas escolas democráticas – muitas administradas por grupos religiosos.

Uma moção, que teve total apoio dos representantes, diz: “Algumas escolas religiosas acreditam que estão acima da lei e podem fazer qualquer coisa em que elas acreditem estar de acordo com suas crenças religiosas.”

Dave Brinson, da diretoria do sindicato, falou durante a conferência: “Discriminação, intolerância e preconceito não se foram. Ainda estão aqui e precisam ser combatidos.”

A moção, que também conclamou o sindicato a conduzir uma investigação sobre discriminação em escolas religiosas, não é “anti-escolas religiosas”, afirmou Bryson. “Muitas fizeram um ótimo trabalho no combate ao preconceito – houve outras escolas, porém, “tanto de orientação religiosa quanto secular, que não combateram a homofobia e a discriminação”.

Annette Pryce, de Buckinghamshire, disse: “A homofobia é insidiosa tanto para os funcionários da escola quanto para os alunos – ainda mais em escolas religiosas.”

Deborah Gwynn, de St. Helens, Lancashire, revelou detalhes de uma pesquisa que mostrou que 40 por cento dos professores haviam escutado, diariamente, alunos usando palavras homofóbicas. Menos da metade dos professores entrevistados acreditam que suas escolas tivessem uma política efetiva para o combate à homofobia.

“Temos que combater o uso da linguagem homofóbica por alunos, não importa o quão inocente esta pareça,” Gwynn acrescentou. “Pessoas usam o termo ‘gay’ no sentido de chato, estúpido ou porcaria. Como você vai se sentir se as pessoas estão usando esta palavra diariamente como sinônimo para coisas como essas? Todos temos que contestar o uso de ‘gay’ nesse sentido.”

Uma pesquisa feita pela Unidade de Saúde Escolar de Stonewall, um grupo de lobby a favor de gays e lésbicas, mostrou que quase dois terços dos alunos gays haviam sofrido bullying homofóbico na escola. Dos que haviam sofrido bullying, 41 por cento haviam sido atacados fisicamente e 17 por cento haviam recebido ameaças de morte. Como resultado, metade havia faltado às aulas.

Michael Dance, de Redbridge, falou de sua tristeza ao ver uma ambulância chegando em sua escola para atender um aluno gay que havia sofrido um ataque de pânico como resultado de bullying.
Líderes do sindicato acrescentaram que professores de escolas religiosas também poderiam sofrer discriminação como resultado da legislação permitir que diretores escolham os funcionários por razões religiosas. Isso poderia causar um favorecimento a professores de mesma crença religiosa que a escola, em promoções e nomeações.

Foi advertido que se uma escola não atacar a discriminação, isto poderia enviar uma mensagem negativa a alunos gays e lésbicas. “Se a escola não tem o comprometimento de ser um lugar seguro para todos, e não combate a discriminação, a mensagem é difundida,” disse Brinson.

“Se você tem uma escola que não está levando este problema a sério, [os alunos] não se sentem confortáveis, e sentem que não terão apoio.”

A moção adverte que algumas escolas estavam usando sua condição religiosa de forma “ilegítima” para evitar a implementação da política de igualdade.

Foi acrescentado que a conferência estava “alarmada com os planos do governo de pressionar universidades e escolas democráticas” e conclamou o sindicato a opor-se a “todos os grupos que promovam discriminação, seja por questões religiosas, como, por exemplo, universidades cristãs evangélicas, ou ideológicas.”

Das primeiras 11 escolas democráticas aprovadas pelo Secretário de Educação, Michael Gove, quatro eram religiosas. Dos grupos que se candidataram a abrir escolas democráticas, incluem-se cristãos evangélicos, que queriam dar a sua escola um ethos criacionista, e muçulmanos.

A Dr. Oonagh Stannard, diretora executiva do Conselho Católico de Educação, afirmou que este havia sido capaz de apoiar o código de conduta da profissão.

“Qualquer forma de bullying é totalmente inaceitável”, ela completa. “Escolas católicas têm se destacado por seu baixo índice de bullying.”

Fonte: Jornal “The Independet”, por Richard Garner / Tradução de Maria Teresa Segarra Costaguta Mattos

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