8 de março: temos o que comemorar?

mulheres

 

O 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, representa um espaço de luta por reivindicações no âmbito do trabalho e da cidadania. A data remonta como principal fato a manifestação das trabalhadoras da indústria têxtil estadunidense, culminando na morte de um grupo, onde foram trancadas e queimadas em uma fábrica no ano de 1857.

O movimento feminista não deixou esse dia passar em vão desde então. Porém, a ONU só foi adotar o 8 de março como o Dia Internacional da Mulher em 1977.

Em 2015, a luta por direitos iguais ainda encontra resistências: vestir a roupa que bem entender ou a liberdade pelo próprio corpo ainda causam apontamentos, julgamentos, limitações e criminalizações. O patriarcado ainda impera na sociedade!

O avanço na discussão acerca da diversidade sexual e da discussão de gênero também traz ao debate tensionamentos sobre o que é ser mulher e o que é pertencer ao gênero feminino.

Por exemplo, travestis e mulheres transexuais não conseguem ascender ao mercado de trabalho formal. Segundo a ANTRA, Associação Nacional de Travestis e Transexuais, 90% das travestis e transexuais trabalham como profissionais do sexo. O que não seria um problema se outros caminhos gerassem outras possibilidades de ser e de estar no mundo.

Esse preconceito e a falta de oportunidades remete às mulheres do início do século passado. Colocadas como abjetas, excluídas do ensino desde as séries iniciais, não há espaço para elas. A sociedade cerra um muro de abandono. Ainda estão trancadas em uma condição de rejeição, de negação de existência.

Já as mulheres cissexuais ganham menos que homens nos mesmos postos de trabalho, sofrem assédio sexual e moral, têm sua conduta julgada pelo simples fato de estarem encaixadas no elo feminino da nossa sociedade patriarcal, machista e binária.

No 8 de março de 2015, promovemos a necessidade de visibilizar a condição de mulher e a condição de trabalho de todas, efetivamente. Por isso tudo e muito mais, mulheres feministas não desejam “ganhar flores ou parabéns” no 8 de março. Mulheres feministas desejam e querem que seus direitos possam ser exercidos. Simples assim!  Ainda temos muito o que avançar…

 

Texto de Bernardo Amorim, coordenador geral do SOMOS, advogado, ativista em Direitos Humanos, simpatizante e apoiador do Movimento Feminista