Identidade e anonimato em exposição na Galeria Lunara

No próximo dia 9 de junho, as 19h será realizada a abertura da exposição fotográfica de Elizabeth Rocha, que se propõem questionar as identidades do ser humano na contemporaneidade, com trabalhos em preto e branco.

Na série Os Anônimos (2007-2010) a artista captura vultos de pessoas em contraluz que entram e saem em salas escuras, enquadrados por espaços de geometrias de luzes e circundados por planos enegrecidos. O contraste de luzes e sombras bem poderia lembrar a natureza visual de um negativo fotográfico. São imagens registradas em baixa velocidade que exploram vestígios do tempo estendido das trajetórias de deslocamentos de corpos nos espaços.

A produção das imagens é operacionalizada pela desconfiguração do caráter de realidade dos corpos, que se apresentam em silhuetas e nada dizem sobre suas respectivas identidades. São corpos aplainados e, por vezes, esvanecidos que desindividualizam quaisquer características físicas e desabilitam o reconhecimento de singularidades.

Em relação à configuração tradicional do retrato, a artista trabalha por subtração ao extrair as volumetrias dos corpos e os traços fisionômicos que permitiriam uma identificação de pertencimento social dos indivíduos.

A série Identidades Impalpáveis (2010) é composta por superfícies enegrecidas que parecem ter absorvido os corpos que por ali passaram e conservam apenas os espaços de luzes dos ambientes. É a luz que brota da escuridão ou seria a escuridão tentando apagar a luz? Esta parece resistir ao seu iminente desaparecimento no espaço.

Em alguns trabalhos da série Os Vagantes (2009) a luz enforma silhuetas brancas de corpos, dispostos em ambientes de paisagens. Tais vestígios de corpos se entrelaçam às texturas provenientes das sobreposições dos fotogramas entre as figuras humanas e paisagens da Patagônia, do Parque Itapuã e do Lago Guaíba.

Na série Universo, Casa Misteriosa (2009) imagens de grupos de pessoas em silhuetas no deserto do Atacama são sobrepostas digitalmente com imagens da lua obtidas no Planetário da UFRGS.

São seres difusos, sem identidades visíveis e em escala minúscula frente à grandeza do universo. As séries fotográficas de Elizabete Rocha aludem à intangibilidade das identidades, numa tentativa de representar o ser humano massificado pelo cotidiano e pela velocidade do mundo contemporâneo – alguém que não dispõe mais de tempo para refletir e evitar que sua mente e seu corpo sejam colonizados pelo que ditam as regras sociais do momento.

Serviço:

Exposição Imagens do Anonimato: Fotografia e Identidades Intangíveis na Contemporaneidade de Elizabete Rocha

Local: Galeria Lunara
Onde: Av. Pres. João Goulart, 551 – Usina do Gasômetro – 5º andar
Quando: De 10 de junho a 10 de julho de 2011
De terças a domingos, das 9 às 21 horas
http://www.galerialunara.blogspot.com/

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