Fiocruz se esforça para descentralizar a pesquisa e produção

O Ministério da Saúde espera concluir até o fim do ano um mapeamento nacional dos polos de desenvolvimento tecnológico na área da saúde.

O objetivo é aumentar o apoio a ações regionais e incentivar a descentralização da produção de conhecimento e o desenvolvimento econômico. Para Carlos Gadelha, secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do ministério, além de seu papel social, a saúde tem forte responsabilidade no desenvolvimento econômico do País.

“Dados do IBGE mostram que a saúde responde por 8,4% do PIB, maior do que o gerado pelo agronegócio. Em torno de 10% dos profissionais especializados atuam no setor da saúde, que consome 25% dos investimentos em ciência e tecnologia”, diz Gadelha. “Mas a região Sudeste, principalmente São Paulo e Rio de Janeiro, concentra grande parte do conhecimento, dos investimentos e da receita, algo em torno de 80%. Queremos mudar isso”.

Segundo o secretário, a estratégia é apoiar iniciativas regionais, que irão receber investimentos diretos de R$ 50 milhões este ano por parte do ministério. “Cada região tem procurado a sua vocação. A região Norte tem investido na biodiversidade ligada à área da saúde, a Centro-Oeste na indústria farmacêutica, a região Sul em biotecnologia e diagnósticos. O Ceará criou o Polo Industrial e Tecnológico da Saúde, cujo terreno foi doado pelo governo cearense. O Estado tem excelência em cardiologia e fármacos”, afirma.

Gadelha ressalta ainda um investimento de R$ 400 milhões na unidade industrial da Hemobras em Pernambuco. Será a maior fábrica de hemoderivados da América Latina, numa área de 48 mil metros quadrados no município de Goiana, a 63 km do Recife. A unidade será uma das âncoras do Polo Farmacoquímico do Estado, cuja área de 345 hectares pode abrigar até 36 indústrias. Hoje, o Brasil gasta cerca de R$ 800 milhões na importação dos hemoderivados.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) é o principal braço do Ministério da Saúde no apoio ao desenvolvimento regional na área da saúde. A entidade tem o objetivo de promover a desconcentração regional e desenvolver o complexo econômico-industrial da saúde. A implantação de unidades com capacidade de produção científica e tecnológica nessas regiões é fator importante para o seu desenvolvimento econômico e geração de conhecimentos e tecnologias.

É o caso, no Ceará, do Polo Industrial e Tecnológico de Saúde (PITS), que será instalado pela Fiocruz no município do Eusébio, a 18 km de Fortaleza. Na região Sul, a Fiocruz inaugurou em 2009, dentro do o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) uma unidade técnico-científica chamada Instituto Carlos Chagas (ICC), que tem como objetivo o desenvolvimento de pesquisas em biologia molecular e celular, voltadas para problemas de saúde humana e veterinária. As instalações contam com moderna infraestrutura para o desenvolvimento de pesquisas de alto nível, com células-tronco e lentivírus.

Fonte: Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC

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